Ontem foram completadas 10.000 visitas na Avenida Copacabana.
Pra mim foi como comemorar uma espécie de primeiro aniversário.
Em pouco mais de 4 meses conheci pessoas muito queridas, ainda que virtualmente, o que não diminui em nada a importância e nem a qualidade do meu afeto.
Outras tantas têm passado por essa página em silêncio, sem comentários.
Essas, também me trazem a mesma alegria, com suas visitas curiosas e mudas.
Acredito que gostem de vir aqui.
E que talvez até voltem, algumas vezes.
Os barulhos da Avenida Copacabana entram pelas janelas do meu escritório, como um bando de leões ferozes.
Estou aqui, com os pensamentos me conduzindo pelo mundo lá fora.
E também pra dentro de mim, enquanto tento registrar no teclado essa viagem interna.
Queria escrever sobre uma transformação que foi acidental.
E outra, deliberada.
Não acredito que a minha experiência ou conhecimento sejam maiores do que os de qualquer outra pessoa.
Enquanto escrevo, sinto a tentação de fantasiar.
Fazer com que eu mesmo, e meu ambiente, pareçam agradáveis, a fim de conquistar a sua simpatia.
Ou de dramatizar as coisas, para que se tornem mais interessantes.
É como se eu acreditasse que a minha realidade em si, não tenha para ninguém, algum interesse.
Todos os dias pela manhã tento escrever alguma coisa.
Fico diante do computador, batucando.
Até que sentimentos de inutilidade e de culpa me sobem à cabeça.
Então vou até a cozinha, tomo café com leite, abro as cortinas e olho o mar de Copacabana, com calma e sem pressa.
E o tempo para, como em uma fotografia.
Mas por dentro, estou fervendo de raiva.
É inacreditável que tanta fúria possa estar escondida em alguém assim, tranquilo, low-profile, como eu.
A cidade lá fora está rugindo, como um leão ferido.