19 agosto 2005

Querida Itália


A Praça do Lido fica entre as Avenidas Atlântica e Nossa Senhora de Copacabana. Seu nome oficial é Praça Bernadelli - Henrique Bernadelli, renomado pintor, premiado na Europa e no Brasil.
Lido é uma homenagem à uma praia italiana, em Veneza.








Fotos - Jôka P.

Essas fotos foram feitas em dias diferentes. Em 3 delas, a mesma modelo está presente :
Uma senhora de blusa vermelha.
Ela se chama Itália.
Dona Itália.
É carioca, filha de imigrantes, e o nome curioso é uma homenagem à sua pátria de origem.
Dona Itália vive sózinha em um pequeno apartamento.
Já perdeu a conta dos dias em que foi à Praça do Lido, em um ritual silencioso, para tomar sol e ler o jornal.
É encantadora, simpática, sem um pingo de amargura, apesar da sua solidão.

Tem os olhos brilhantes, de quem ainda vê o mundo com uma curiosidade infantil.

Uma mulher idosa e anônima, como tantas em Copacabana.

Querida Dona Italia.

:)

18 agosto 2005

As primeiras fotos do Rio

O fotógrafo carioca Marc Ferrez (1843-1923) viajou por todo o Brasil em sua vida, e documentou cuidadosamente as incríveis primeiras imagens coloridas do Rio de Janeiro, com técnica desenvolvida por ele.

Entrada da Baía de Guanabara - 1885


Morro da Urca - Pão de Açucar - 1915


Praia de Botafogo - 1893


As imagens deste ensaio, restauradas pela primeira vez, fazem parte do acervo do Instituto Moreira Salles, no Rio.

:o)

17 agosto 2005

A bola laranja na persiana



Colégio Andrews.
Diciplinas, lições, provas – esqueci de quase tudo isso.
O que eu sentia como inútil, está no fundo da minha memória, onde o tempo perdido, os equívocos e as bobagens formam como que uma massa esponjosa, que de vez em quando tento pegar e apalpar.

É mais fácil me lembrar de impressões visuais.
A cor das escrivaninhas, a roupa das professoras, a luz esverdeada da sala de aula.
As balas Juquinha e as Maria-Moles vendidas na cantina.
O sol de meio-dia explodindo, como uma bola laranja que atravessava a persiana.
Giz que se quebrava no quadro negro, fazendo um barulho horrível.
Um camundongo correndo pelo pátio do recreio.

O professor Alair, de matemática.
Um homem gordo, de bochechas coradas e óculos de aros negros, que fumava sem parar.
E que me dizia, diante da turma, soltando baforadas de fumaça fedorenta :
“ –Tire os braços de cima da cabeça, menino !
Você nunca vai poder pensar abraçando assim a cabeça ! Nunca ! ”

Eu detestava tanto a escola, que por qualquer motivo fugia das aulas e me escondia na biblioteca.
Ficava horas lendo as aventuras de Brigitte Montfort, a espiã da CIA que lutava contra todos os vilões inimigos.
Um dia resolvi que seria um menino prodígio.
Ia escrever um livro que deslumbraria o mundo.
Seria algo tristíssimo.
E todos ficariam imaginando como um menino como eu, poderia escrever um livro assim.
Tão profundo, melancólico e trágico.

Eu era alto e magricelo.
Muito fechado, tímido e perdido em sonhos.
Notas medíocres e um tédio infinito.

Tenho certeza de que houve uma época em que fui líder de parte da minha turma.

À noite, depois que todos em casa já estavam dormindo, eu ficava olhando o mar pela janela do quarto e pensava :
Um dia, vou viver nesse mundo maravilhoso de risos e de acertos.
E vou fazer parte “daquela coisa ”.

Hoje, muitas vezes, ainda me sinto um estranho.
Acreditando que todas as outras pessoas fazem parte “da coisa”.
E eu não.
Sempre pude pensar melhor com os braços em volta da cabeça.

***

16 agosto 2005

Copacabana, em casa

Copacabana quase não tem mais casas.
É praticamente um paredão de prédios espremido entre o mar e as montanhas.
No entanto, alguns teimosos ainda mantém as suas casas, o que nos permite lembrar um pouco a Copacabana bucólica de antigamente.



Esta casa linda em estilo normando, por exemplo, fica numa das avenidas mais poluídas de Copacabana, a Av. Barata Ribeiro. E tem no jardim da frente, muitas plantas resistentes.

Mais uma casinha esquecida no meio dos prédios de Copacabana. Ela fica na Rua Barata Ribeiro, no Posto 5, perto da Rua Santa Clara. A árvore do jardim está florida.


Escola Municipal Dr. Cícero Penna, na Avenida Atlântica.
Este é um dos muitos luxos desse bairro maravilhoso.

Uma escola pública localizada num dos metros quadrados mais caros do mundo, de frente para o Oceano Atlântico.

Este é o Quartel do Corpo de Bombeiros que fica na Rua Xavier da Silveira, em Copacabana.

A casa de pedra, na Avenida Atlântica, esquina com a Rua Santa Clara.

Uma das ultimas casas da praia de Copacabana, aparentemente está fechada. Os muros estão cobertos de grafitis, mas a casa está bem conservada. Há anos atrás, foi reproduzida fielmente no Projac, e serviu de cenário para a novela "O Outro".

15 agosto 2005

Festa na floresta !

Angela Ursa - por JÔKA P.

A Índia Ursa Sentada do eco-blog que defende como ninguém as nossas matas e a cultura indígena está em uma nova floresta.
A beldade indígena, além de top-model internacional, é também uma corajosa e sábia lutadora pela manutenção dos valores das tribos brasileiras !
Ela está esperando você hoje, em uma oca novinha em folha e bacanérrima !
Dona Ursa vai servir os seus famosos coquetéis de ervas danadinhas e os deliciosos assados de cipó-bravo com tapioca até o sol raiar.
Todo esse balaco ao som enlouquecedor do DJ Cacique Caramurú-Uirapurú !
Para quem quiser conferir o local super-exótico com todo conforto, e sem ser devorado por insetos malignos, o novo endereço da Ursa é :


Tudo de bom pra você, Angela !
Seja muito feliz na sua nova floresta.
Beijos florestais !
:o)

14 agosto 2005

Um passeio pelo Rio

Vamos dar um passeio pelo Rio ?

Nesse passeio não haverá violência e nem baixaria.

Aqui, hoje, só tem sol, chopp, samba, beleza e felicidade.

Não se esqueçam do filtro solar.



Praia de Copacabana

A mais famosa praia do Rio de Janeiro, fica na Zona Sul da cidade.

É o lugar onde tenho o privilégio de morar.

Não é por acaso que é conhecida como “A Princesinha do Mar”.



Praia de Ipanema

A praia de Ipanema também se localiza na Zona Sul do Rio de Janeiro.

De lá, como todos sabem, sairam os versos de “ Garota de Ipanema”, de Vinícius de Moraes, que tornaram o bairro mundialmente famoso.

Os dois morros ao fundo são conhecidos como " Dois Irmãos".


:o)

Um passeio pelo Rio 2

Corcovado
Símbolo do Rio de Janeiro, o Corcovado ou Cristo Redentor é ponto turístico mais conhecido e visitado por turistas no Rio de Janeiro.
A visão da cidade no Corcovado é algo de tirar o folego, de lá você tem uma vista quase de 360º da cidade do Rio de Janeiro.



Pão de Açucar

Depois do Corcovado, o Pão de Açúcar é um dos pontos turísticos mais conhecido do Rio de Janeiro.

Para chegar no alto do morro mais alto você pode utilizar os famosos bondinhos ou ainda se você tiver disposição poderá subir pela trilha que dá acesso ao topo do morro..



Maracanã.

O maior estádio de futebol do mundo se encontra na Cidade do Rio de Janeiro no bairro do Maracanã (próximo a Tijuca).

Palco de grandes clássicos do Futebol Brasileiro e também palco de uma final de copa do mundo, este estádio já concentrou públicos de até 200.000 pessoas.

No estádio ainda se encontra a calçada da fama do futebol Brasileiro.


Arcos da Lapa

Localizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro.

Em suas redondezas existe uma vida boêmia muito grande com vários bares onde tem roda de samba e boates.

Por cima dos Arcos da Lapa passa um bondinho, este que é um dos meios de transporte mais antigos do Rio de Janeiro...


:o)

13 agosto 2005

Sábado



Acho que sábado é a rosa da semana.
Sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço.
No sábado é que as formigas subiam pela pedra.
Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?
No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.
Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais.
Já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer.”
Clarice Lispector

"Para não esquecer" - Siciliano - São Paulo, 1992

12 agosto 2005

Um dia, uma gata


Sempre achei que não gostava de gatos.

Até o dia em que chegou aqui em casa, dentro de uma caixa de madeira com alça, aquela gata branca, assustada, magrinha e cheia de falhas nos pelos.


Dava pena ver as costelinhas aparecendo através dos pelos ralos.
Mas eu não gostava de gatos.
Eram antipáticos e fechados, ao contrário dos cães, sempre engraçadinhos e exibidos.
A bichinha foi ficando, arredia e quieta.

Tinha uma história de abandono e de maus tratos.

Ela, tão pequena e fragilizada, soube, aos poucos, encontrar os seus espaços na casa.



Levei-a várias vezes à veterinária, dentro de uma caixa pesadíssima, era um vai-e-vem sem fim... Muita grana foi gasta em consultas, toneladas de remédios homeopáticos, pomadas e shampoos.

E tivemos que nos armar com muita, mas muita paciência.

Os pelos brancos voltaram a crescer, lustrosos, e ela engordou.

Não sei se fui eu quem conquistou o seu afeto. Acho que foi o contrário.

Hoje a Cindy é uma gatona linda, fofa e feliz.

É sensível, amiga, limpíssima, tem boas maneiras, e até nos dá grandes exemplos de elegância.

Me mostrou que o amor pode vir de formas bem diferentes, e só me cabe perceber e aceitar.

Um poeta já disse que "qualquer maneira de amor vale à pena".

Cindy provou que ele tinha razão.

:o)

11 agosto 2005

O leão e a cidade


Ontem foram completadas 10.000 visitas na Avenida Copacabana.
Pra mim foi como comemorar uma espécie de primeiro aniversário.
Em pouco mais de 4 meses conheci pessoas muito queridas, ainda que virtualmente, o que não diminui em nada a importância e nem a qualidade do meu afeto.
Outras tantas têm passado por essa página em silêncio, sem comentários.
Essas, também me trazem a mesma alegria, com suas visitas curiosas e mudas.
Acredito que gostem de vir aqui.
E que talvez até voltem, algumas vezes.

Os barulhos da Avenida Copacabana entram pelas janelas do meu escritório, como um bando de leões ferozes.
Estou aqui, com os pensamentos me conduzindo pelo mundo lá fora.
E também pra dentro de mim, enquanto tento registrar no teclado essa viagem interna.

Queria escrever sobre uma transformação que foi acidental.
E outra, deliberada.

Não acredito que a minha experiência ou conhecimento sejam maiores do que os de qualquer outra pessoa.
Enquanto escrevo, sinto a tentação de fantasiar.
Fazer com que eu mesmo, e meu ambiente, pareçam agradáveis, a fim de conquistar a sua simpatia.
Ou de dramatizar as coisas, para que se tornem mais interessantes.
É como se eu acreditasse que a minha realidade em si, não tenha para ninguém, algum interesse.

Todos os dias pela manhã tento escrever alguma coisa.
Fico diante do computador, batucando.
Até que sentimentos de inutilidade e de culpa me sobem à cabeça.
Então vou até a cozinha, tomo café com leite, abro as cortinas e olho o mar de Copacabana, com calma e sem pressa.
E o tempo para, como em uma fotografia.
Mas por dentro, estou fervendo de raiva.
É inacreditável que tanta fúria possa estar escondida em alguém assim, tranquilo, low-profile, como eu.

A cidade lá fora está rugindo, como um leão ferido.